Postamos aqui a charge brilhante do cartunista Latuff sobre a Praça Médici da PUC-Campinas.Declare seu apoio ao manifesto em http://www.petitiononline.com/medici1/petition.html
terça-feira, 20 de julho de 2010
Informe da Praça Médici protocolado nos Três Poderes da República
Dia 17 de julho estudantes da PUC-Campinas protocolaram no Poder Executivo, na Câmara dos Deputados, no Senado e no Supremo Tribunal Federal um informe do manifesto das entidades pela retirada da Praça Médici da PUC-Campinas.
Ao longo da semana, centenas de assinaturas de apoio ao manifesto também foram coletadas na capital federal. A partir disso, grupos de apoiadores vem se articulando em várias partes do país para divulgar a reivindicação.
A luta pela memória política vem ganhando a força necessária para fazer justiça!
Em Brasília, reitor da UnB apoia o movimento
Dia 12 de julho último o Reitor da Universidade de Brasília, prof. José Geraldo de Souza Júnior, firmou seu apoio ao manifesto pela retirada da Praça Médici da PUC-Campinas. Em suas próprias palavras: Mais que necessário, é urgente!
Que sirva como apelo do verdadeiro espírito universitário para que a PUC-Campinas saia da contramão da história reconhecendo a Praça Frei Tito como resposta para o futuro.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Nome de praça vira polêmica
Nome de praça vira polêmica
Ana Paula Siqueira, Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O Brasil ainda tenta descobrir muitos mistérios sobre fatos ocorridos nos porões da ditadura militar, que dominou o país entre 1964 e 1985. Entretanto, muitas ruas, avenidas e praças ainda levam nomes de pessoas acusadas de crimes de lesa-humanidade, como autoridades que adotaram a tortura como prática. A Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas é um desses lugares. Estudantes da própria PUC e movimentos sociais lutam para trocar o nome da Praça Emílio Garrastazu Médici, construída em 1973, para Frei Tito de Alencar Lima, uma das vítimas dos anos de chumbo.
A iniciativa dos estudantes do Centro Acadêmico XVI de Abril foi abraçada por entidades como o grupo Tortura Nunca Mais, o Núcleo de Preservação da Memória Política e o Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, entre outros. E se transformou num movimento com direito a petição online. Assinaturas digitais estão sendo colhidas para pressionar a PUC a trocar o nome da praça. Mais de 1.800 pessoas já subscreveram o pedido.
De acordo com a estudante Carolina Bissoto, ligada ao Centro Acadêmico XVI de Abril e aluna da pós-graduação da universidade, a reivindicação é antiga. Entretanto, no dia 5, o manifesto intitulado Praça Emílio Garrastazu Médici Nunca Mais! foi publicado na internet e começou a ganhar mais adeptos.
– Achamos uma injustiça (o atual nome da praça). O correto é homenagear pessoas que lutaram contra a ditadura – defende a estudante.
Tortura Nunca Mais
O vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais, Marcelo Zelic, classifica a denominação da praça como “auto-homenagem” dos militares durante a ditadura. Para ele, é preciso chamar a sociedade para o debate e conhecer a biografia dos homenageados.
– A tortura ainda faz parte do dia a dia das delegacias. Foram criadas formas de aplicar tortura que ainda subsistem, e o risco da banalização é muito grande. – disse Zelic. – O desaparecimento forçado aconteceu com muito mais ênfase no governo Médici.
Ele defende o nome do Frei Tito Alencar Lima para rebatizar o local. O Tortura Nunca Mais luta para que nomes de pessoas que praticaram ou permitiram a tortura sejam retirados de logradouros públicos em todo o país.
Na mesma linha de Zelic, o presidente do Núcleo de Preservação da Memória Política, Ivan Seixas, critica a permanência da homenagem.
– A PUC aceitou essa homenagem macabra, mas os estudantes não foram consultados – argumenta.
PUC
A universidade divulgou nota afirmando que está ciente da mobilização, e que “tem discutido internamente a respeito”. E se defende ao dizer que batizar a praça com o nome de Médici se deveu ao “apoio do Ministério da Educação e Cultura da época para a construção do Campus I” e conclui “que de forma alguma a placa representa ou simboliza que a PUC-Campinas compartilha os atos de repressão praticados no período”.
A estudante Carolina Bissoto, do movimento estudantil, afirma que a universidade não deu nenhum posicionamento aos estudantes. O movimento deverá ser intensificado após as férias de julho.
Cada um
Frei Tito nasceu em Fortaleza (CE). Em 1966, ele entrou no noviciado dos dominicanos, em Minas Gerais. Dois anos mais tarde, foi preso e torturado por cerca de 30 dias após participar de um congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em 1969, foi preso novamente e voltou a sofrer torturas. Ele foi deportado para o Chile e depois fugiu para Itália e França. Em 1974, depois de passar por tratamento psiquiátrico, ele foi encontrado morto, pendurado pelo pescoço em uma árvore.
Emílio Garrastazu Médici tomou posse como presidente da República em 1969, e ficou conhecido pelo “milagre econômico”, que no final de seu governo já não andava muito bem. Seu mandato ficou conhecido como o mais obscuro e repressor do militarismo.
São Paulo recentemente trocou o nome de uma rua. A SP-332 foi rebatizada para Professor Zeferino Vaz, antes denominada General Milton Tavares de Souza.
.21:10 - 18/07/2010
Ana Paula Siqueira, Jornal do Brasil
BRASÍLIA - O Brasil ainda tenta descobrir muitos mistérios sobre fatos ocorridos nos porões da ditadura militar, que dominou o país entre 1964 e 1985. Entretanto, muitas ruas, avenidas e praças ainda levam nomes de pessoas acusadas de crimes de lesa-humanidade, como autoridades que adotaram a tortura como prática. A Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas é um desses lugares. Estudantes da própria PUC e movimentos sociais lutam para trocar o nome da Praça Emílio Garrastazu Médici, construída em 1973, para Frei Tito de Alencar Lima, uma das vítimas dos anos de chumbo.
A iniciativa dos estudantes do Centro Acadêmico XVI de Abril foi abraçada por entidades como o grupo Tortura Nunca Mais, o Núcleo de Preservação da Memória Política e o Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, entre outros. E se transformou num movimento com direito a petição online. Assinaturas digitais estão sendo colhidas para pressionar a PUC a trocar o nome da praça. Mais de 1.800 pessoas já subscreveram o pedido.
De acordo com a estudante Carolina Bissoto, ligada ao Centro Acadêmico XVI de Abril e aluna da pós-graduação da universidade, a reivindicação é antiga. Entretanto, no dia 5, o manifesto intitulado Praça Emílio Garrastazu Médici Nunca Mais! foi publicado na internet e começou a ganhar mais adeptos.
– Achamos uma injustiça (o atual nome da praça). O correto é homenagear pessoas que lutaram contra a ditadura – defende a estudante.
Tortura Nunca Mais
O vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais, Marcelo Zelic, classifica a denominação da praça como “auto-homenagem” dos militares durante a ditadura. Para ele, é preciso chamar a sociedade para o debate e conhecer a biografia dos homenageados.
– A tortura ainda faz parte do dia a dia das delegacias. Foram criadas formas de aplicar tortura que ainda subsistem, e o risco da banalização é muito grande. – disse Zelic. – O desaparecimento forçado aconteceu com muito mais ênfase no governo Médici.
Ele defende o nome do Frei Tito Alencar Lima para rebatizar o local. O Tortura Nunca Mais luta para que nomes de pessoas que praticaram ou permitiram a tortura sejam retirados de logradouros públicos em todo o país.
Na mesma linha de Zelic, o presidente do Núcleo de Preservação da Memória Política, Ivan Seixas, critica a permanência da homenagem.
– A PUC aceitou essa homenagem macabra, mas os estudantes não foram consultados – argumenta.
PUC
A universidade divulgou nota afirmando que está ciente da mobilização, e que “tem discutido internamente a respeito”. E se defende ao dizer que batizar a praça com o nome de Médici se deveu ao “apoio do Ministério da Educação e Cultura da época para a construção do Campus I” e conclui “que de forma alguma a placa representa ou simboliza que a PUC-Campinas compartilha os atos de repressão praticados no período”.
A estudante Carolina Bissoto, do movimento estudantil, afirma que a universidade não deu nenhum posicionamento aos estudantes. O movimento deverá ser intensificado após as férias de julho.
Cada um
Frei Tito nasceu em Fortaleza (CE). Em 1966, ele entrou no noviciado dos dominicanos, em Minas Gerais. Dois anos mais tarde, foi preso e torturado por cerca de 30 dias após participar de um congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em 1969, foi preso novamente e voltou a sofrer torturas. Ele foi deportado para o Chile e depois fugiu para Itália e França. Em 1974, depois de passar por tratamento psiquiátrico, ele foi encontrado morto, pendurado pelo pescoço em uma árvore.
Emílio Garrastazu Médici tomou posse como presidente da República em 1969, e ficou conhecido pelo “milagre econômico”, que no final de seu governo já não andava muito bem. Seu mandato ficou conhecido como o mais obscuro e repressor do militarismo.
São Paulo recentemente trocou o nome de uma rua. A SP-332 foi rebatizada para Professor Zeferino Vaz, antes denominada General Milton Tavares de Souza.
.21:10 - 18/07/2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
Deu no Jornal Correio Popular - Campinas/SP
Publicada em 13/7/2010
Grupo quer tirar nome de Médici de praça na PUC
Movimento contra herança da ditadura quer homenagear Frei Tito
Delma Medeiros
DA AGÊNCIA ANHNAGUERA
delma@rac.com.br

Um movimento organizado por entidades da sociedade civil e pelo Centro Acadêmico XVI de Abril, da Faculdade de Direito, busca mudar o nome de uma praça localizada no campus 1 da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC). A mobilização pede que a Praça Emílio Garrastazu Médici seja renomeada para “Frei Tito de Alencar Lima”, uma vítima do regime ditatorial. Frei Tito enlouqueceu e se suicidou devido às torturas das quais foi vítima durante o regime militar. O movimento “Praça Emílio Garrastazu Médici Nunca Mais” já recolheu mais de 1,3 mil assinaturas e criou um blog (http://foramedici.blogspot.com/) para divulgar as informações sobre a iniciativa.
O movimento engrossa as iniciativas de reversão de homenagens a pessoas que participaram direta ou indiretamente de ações de tortura. A rodovia SP-332, que liga Campinas a Conchal, mais conhecida como Tapetão, já mudou de nome. Ao invés de “General Milton Tavares de Souza, passa a chamar-se “Professor Zeferino Vaz”.
“Esta é uma reivindicação antiga, mas as tentativas anteriores não tiveram sucesso. Agora retomamos e desta vez, a repercussão superou nossas expectativas”, disse Filipe Jordão Monteiro, do CA XVI de Abril. Segundo Monteiro, o objetivo é reconhecer os verdadeiros heróis do País e reforçar a democracia. “Trata-de de um movimento de reparação”, disse Marcelo Zelic, integrante do grupo Tortura Nunca Mais. A mobilização começou há cerca de dez dias e pretende envolver estudantes, docentes e sociedade civil na proposta de reverter as homenagens feitas a pessoas que praticaram crime contra os direitos humanos.
“Com a volta às aulas, vamos reforçar as ações e pedir a mudança do nome da praça e retirada da placa”, explicou Monteiro. A mobilização informa que luta “pelo direto à memória, à verdade, à justiça, e à lembrança dos que morreram e desapareceram lutando por um Brasil justo e democrático e pela responsabilização dos torturadores do regime militar”. Eles têm a adesão de parlamentares, intelectuais e ex-presos políticos.
Uma moção nesse sentido foi entregue à reitora da PUC, Angela de Mendonça Engelbrecht, assinada pelo professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Caio Navarro de Toledo. No moção, ele cita que a movimento pede que a “odiosa homenagem” feita ao general Emílio Garrastazu Médici, em pleno regime militar, seja definitivamente cancelada. “Tendo em vista o relevante papel que as universidades católicas brasileiras desempenharam na luta pela redemocratização do Brasil é uma profunda indignidade e uma visível incongruência a homenagem que a PUC de Campinas ainda presta ao militar que foi um dos maiores responsáveis pelo endurecimento das perseguições políticas e pela efetiva implementação do nefasto Ato Institucional 5, que implicou mortes, desaparecimentos forçados e torturas de presos políticos”, afirmou Navarro na moção.
A manifestação, que circula pela internet afirma ser justa a homenagem a Frei Tito, uma vítima da tortura. “Manter a homenagem aos algozes do povo brasileiro significa uma violência permanente. Este reconhecimento por parte da PUC-Campinas cumprirá um papel de reparação e uma oportunidade de remissão desta universidade, sedimentando um compromisso com o futuro e não mais com um passado sangrento”, diz o manifesto.
Em nota oficial, a reitoria da PUC-Campinas informou que está ciente do movimento e discutindo internamente a questão. A nota citou que a placa foi descerrada em março de 1973, dia da inauguração do Campus 1, em função do apoio do Ministério da Educação e Cultura da época para sua construção. “De forma alguma a placa representa ou simboliza que a PUC-Campinas compartilha os atos de repressão praticados no período”, informa.
Participam da mobilização, além do CA XVI de Abril; o Núcleo de Preservação da Memória Política; Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo; Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo; Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe); e Fórum de Direitos Humanos de Campinas.
Rodovia já teve denominação alterada para Zeferino Vaz
Desde o mês passado, a SP-332 passou a se chamar Professor Zeferino Vaz. A Assembleia Legislativa aprovou e o governo sancionou lei de autoria do deputado estadual Milton Flávio (PSDB) que trocou o nome de General Milton Tavares de Souza. Ele afirma que a mudança “vem corrigir a distorção de homenagear pessoas que torturaram ou apoiaram a tortura no Brasil”. “A mudança corrige uma injustiça. A tortura é inaceitável, um crime hediondo e imprescritível. Não tem sentido homenagear, ou manter homenagens a pessoas que sabidamente cometeram crimes contra a humanidade”, disse Flávio. Ele também é autor de um outro projeto, ainda em tramitação na Assembleia, que veda a denominação de prédios, rodovias e repartições pública com nomes de pessoas que tenham praticado ou autorizado atos de tortura. O médico e professor Zeferino Vaz foi o idealizador, fundador e administrador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). (DM/AAN)
Grupo quer tirar nome de Médici de praça na PUC
Movimento contra herança da ditadura quer homenagear Frei Tito
Delma Medeiros
DA AGÊNCIA ANHNAGUERA
delma@rac.com.br

Um movimento organizado por entidades da sociedade civil e pelo Centro Acadêmico XVI de Abril, da Faculdade de Direito, busca mudar o nome de uma praça localizada no campus 1 da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC). A mobilização pede que a Praça Emílio Garrastazu Médici seja renomeada para “Frei Tito de Alencar Lima”, uma vítima do regime ditatorial. Frei Tito enlouqueceu e se suicidou devido às torturas das quais foi vítima durante o regime militar. O movimento “Praça Emílio Garrastazu Médici Nunca Mais” já recolheu mais de 1,3 mil assinaturas e criou um blog (http://foramedici.blogspot.com/) para divulgar as informações sobre a iniciativa.
O movimento engrossa as iniciativas de reversão de homenagens a pessoas que participaram direta ou indiretamente de ações de tortura. A rodovia SP-332, que liga Campinas a Conchal, mais conhecida como Tapetão, já mudou de nome. Ao invés de “General Milton Tavares de Souza, passa a chamar-se “Professor Zeferino Vaz”.
“Esta é uma reivindicação antiga, mas as tentativas anteriores não tiveram sucesso. Agora retomamos e desta vez, a repercussão superou nossas expectativas”, disse Filipe Jordão Monteiro, do CA XVI de Abril. Segundo Monteiro, o objetivo é reconhecer os verdadeiros heróis do País e reforçar a democracia. “Trata-de de um movimento de reparação”, disse Marcelo Zelic, integrante do grupo Tortura Nunca Mais. A mobilização começou há cerca de dez dias e pretende envolver estudantes, docentes e sociedade civil na proposta de reverter as homenagens feitas a pessoas que praticaram crime contra os direitos humanos.
“Com a volta às aulas, vamos reforçar as ações e pedir a mudança do nome da praça e retirada da placa”, explicou Monteiro. A mobilização informa que luta “pelo direto à memória, à verdade, à justiça, e à lembrança dos que morreram e desapareceram lutando por um Brasil justo e democrático e pela responsabilização dos torturadores do regime militar”. Eles têm a adesão de parlamentares, intelectuais e ex-presos políticos.
Uma moção nesse sentido foi entregue à reitora da PUC, Angela de Mendonça Engelbrecht, assinada pelo professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Caio Navarro de Toledo. No moção, ele cita que a movimento pede que a “odiosa homenagem” feita ao general Emílio Garrastazu Médici, em pleno regime militar, seja definitivamente cancelada. “Tendo em vista o relevante papel que as universidades católicas brasileiras desempenharam na luta pela redemocratização do Brasil é uma profunda indignidade e uma visível incongruência a homenagem que a PUC de Campinas ainda presta ao militar que foi um dos maiores responsáveis pelo endurecimento das perseguições políticas e pela efetiva implementação do nefasto Ato Institucional 5, que implicou mortes, desaparecimentos forçados e torturas de presos políticos”, afirmou Navarro na moção.
A manifestação, que circula pela internet afirma ser justa a homenagem a Frei Tito, uma vítima da tortura. “Manter a homenagem aos algozes do povo brasileiro significa uma violência permanente. Este reconhecimento por parte da PUC-Campinas cumprirá um papel de reparação e uma oportunidade de remissão desta universidade, sedimentando um compromisso com o futuro e não mais com um passado sangrento”, diz o manifesto.
Em nota oficial, a reitoria da PUC-Campinas informou que está ciente do movimento e discutindo internamente a questão. A nota citou que a placa foi descerrada em março de 1973, dia da inauguração do Campus 1, em função do apoio do Ministério da Educação e Cultura da época para sua construção. “De forma alguma a placa representa ou simboliza que a PUC-Campinas compartilha os atos de repressão praticados no período”, informa.
Participam da mobilização, além do CA XVI de Abril; o Núcleo de Preservação da Memória Política; Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo; Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo; Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe); e Fórum de Direitos Humanos de Campinas.
Rodovia já teve denominação alterada para Zeferino Vaz
Desde o mês passado, a SP-332 passou a se chamar Professor Zeferino Vaz. A Assembleia Legislativa aprovou e o governo sancionou lei de autoria do deputado estadual Milton Flávio (PSDB) que trocou o nome de General Milton Tavares de Souza. Ele afirma que a mudança “vem corrigir a distorção de homenagear pessoas que torturaram ou apoiaram a tortura no Brasil”. “A mudança corrige uma injustiça. A tortura é inaceitável, um crime hediondo e imprescritível. Não tem sentido homenagear, ou manter homenagens a pessoas que sabidamente cometeram crimes contra a humanidade”, disse Flávio. Ele também é autor de um outro projeto, ainda em tramitação na Assembleia, que veda a denominação de prédios, rodovias e repartições pública com nomes de pessoas que tenham praticado ou autorizado atos de tortura. O médico e professor Zeferino Vaz foi o idealizador, fundador e administrador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). (DM/AAN)
sábado, 10 de julho de 2010
Recordando bons exemplos: Lei retira nome de torturador de rua de São Carlos/SP
Retirada homenagem a torturador de rua de São Carlos e substituida pelo defensor dos Direitos Humanos, Dom Helder Câmara
Uma lei de autoria do presidente da Câmara de São Carlos, Lineu Navarro, foi colocada em prática na última segunda-feira.Estudantes, moradores e várias autoridades, entre elas o Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo de Tarso Vannuchi, acompanharam o descerramento da placa que determinou a mudança do nome de uma das ruas da cidade.
A via deixou de se chamar "Sérgio Fernando Paranhos Fleury", ex-delegado e torturador dos tempos da ditadura, e recebeu o nome de "Dom Helder Câmara". "Nós não conseguíamos entender porque um torturador tão vil como o Fleury ainda ostentava uma homenagem em nossa cidade. Além de ter sido um dejeto humano, pois torturou e matou inúmeros militantes opositores ao regime militar, nunca teve ligação com São Carlos", disse Lineu.

O discurso do ministro seguiu a mesma linha. Antes de descerrar a placa, Vannuchi afirmou que a atitude do vereador serve de exemplo para todos os outros municípios brasileiros que conservam homenagens a torturadores. "São Carlos pode ter certeza que irei divulgar essa ação positiva por todo o país e mais: essa atitude será uma das orientações contidas no próximo programa nacional de direitos humanos, que será assinado pelo presidente Lula em outubro", disse ele.
A troca da placa motivou outras atividades durante o dia. Duas delas foram realizadas na Universidade Federal de São Carlos e contaram com a participação de mais de cem alunos, além de representantes da comunidade. Primeiro houve uma mesa redonda com os professores João Virgilio Tagliavini, Marly de Almeida Gomes Vianna e Caio Navarro de Toledo. Os três falaram sobre "Democracia, Memória e Direitos Humanos no Brasil". Em seguida, o ministro fez uma palestra sobre "Direito à Memória e à Verdade".À noite, a Câmara realizou uma Sessão Solene em homenagem ao centenário do nascimento de Dom Helder Câmara.
Durante o evento, realizado no auditório "Sérgio Mascarenhas", na USP, o presidente do Legislativo destacou o trabalho do religioso em prol dos mais necessitados."Dom Helder, que morreu em 1999 aos 90 anos, era um jovem de espírito. Seu legado será eterno e hoje estamos realmente felizes em saber que seu nome rebatizou uma das ruas de nossa cidade", afirmou Lineu.Durante duas horas, os presentes acompanharam os discursos e assistiram a um vídeo sobre a vida do religioso. Mas a parte final da solenidade foi a que mais chamou a atenção. Lineu Navarro quebrou o protocolo ao anunciar a entrada do ator Tárcio Costa.
Por meio do personagem "Gregó", o ator emocionou a platéia ao narrar a vida de Dom Helder Câmara por meio de uma poesia de cordel. "Pra mim foi uma surpresa grande e também um grande orgulho em fazer essa homenagem. A vida de Dom Helder é realmente uma verdadeira lição de paz e isso muito me inspirou", concluiu o ator.
Fonte: http://sergioscampos.blogspot.com/2009_08_01_archive.html
Vídeo: Tortura Nunca Mais-SP
SP-332 agora é Prof. Zeferino Vaz
Cidades
SP-332 agora é Prof. Zeferino Vaz
Assembleia Legislativa aprovou a retirada do nome General Milton Tavares de Souza da rodovia
Delma Medeiros
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
delma@rac.com.br
A Rodovia SP-332, que liga Campinas a Conchal, mudou de nome. Ao invés de General Milton Tavares de Souza, agora é Professor Zeferino Vaz. A mudança faz parte do movimento contra o militarismo e que propõe rediscutir os crimes contra os direitos humanos cometidos no período da ditadura militar. A substituição, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), entrou em vigor no dia 4 de junho, com a publicação no Diário Oficial do Estado (DO) da lei 711/09.
Para o deputado estadual Milton Flávio (PSDB), autor do projeto de lei, a mudança vem corrigir a distorção de homenagear pessoas que torturaram ou apoiaram a tortura no Brasil. “A mudança corrige uma injustiça. A tortura é inaceitável, um crime hediondo e imprescritível. Não tem sentido homenagear ou manter homenagens a pessoas que sabidamente cometeram crimes contra a humanidade”, disse. “A estrada passa próximo à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um complexo educacional de extrema importância. Dar à rodovia o nome do homem que foi o grande mentor da criação da universidade é uma forma de homenagear os que lutaram pela construção de um país melhor”, afirmou.
Flávio também é autor de outro projeto, ainda em tramitação na Assembleia, que veda a denominação de prédios, rodovias e repartições públicas com nomes de pessoas que tenham praticado ou autorizado atos de tortura. “Este projeto é anterior ao da rodovia. Mas, como a denominação do general foi definida por decreto, pensei que seria mais fácil conseguir a aprovação”, explicou, citando que se aprovado o outro projeto, além de proibir novas homenagens, vai permitir a revisão das já feitas a torturadores.
“O codinome do general na época era Milton Caveirinha, porque ele pregava a morte dos adversários do regime. Ele tinha um discurso duro e comandou a Central de Informações do Exército num dos períodos mais duros da ditadura”, disse.
Repercussão
“Acho ótima e merecida a homenagem ao professor Zeferino Vaz. Mas, o mais importante é a rodovia ou qualquer prédio público não ter o nome de alguém que não fez nenhum bem para a sociedade. A mudança de nome, por si só, é positiva”, disse a deputada estadual Célia Leão (PSDB).
“O Brasil precisa deixar de ser um país sem memória. Os crimes políticos não podem ser esquecidos”, reforçou Flávio. Segundo ele, não se trata de revanchismo, mas de cultuar heróis da democracia. Flávio lembrou que a estratégia de não homenagear ditadores é mundial. Chile, Espanha e Portugal, por exemplo, não têm mais referências a Pinochet, Franco e Salazar, respectivos ditadores desses países.
Placas
A assessoria de imprensa da Rota das Bandeiras, concessionária que administra a SP-332, informou que assim que saiu a publicação no DO, a empresa mandou confeccionar novas placas para substituir as atuais. Mas não soube informar quantas são, nem quando as placas com a nova denominação estarão instaladas.
A SP-332 tem 77 quilômetros de extensão, e vai de Campinas a Conchal, passando por Paulínia, Artur Nogueira e Cosmópolis, entre outros municípios. Ela foi inaugurada em julho de 1981, mesmo ano da morte do general.
SAIBA MAIS - Quem foi Zeferino Vaz
O médico e professor Zeferino Vaz foi o idealizador, fundador e administrador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) nas décadas de 60 e 70. Foi ainda criador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, secretário estadual de Saúde, em 1963, e reitor da Universidade de Brasília (UnB). Foi também o primeiro presidente do Conselho Estadual de Saúde de São Paulo. Após sua aposentadoria, exerceu até sua morte o cargo de presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Unicamp. Zeferino Vaz também morreu em 1981.
SP-332 agora é Prof. Zeferino Vaz
Assembleia Legislativa aprovou a retirada do nome General Milton Tavares de Souza da rodovia
Delma Medeiros
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
delma@rac.com.br
A Rodovia SP-332, que liga Campinas a Conchal, mudou de nome. Ao invés de General Milton Tavares de Souza, agora é Professor Zeferino Vaz. A mudança faz parte do movimento contra o militarismo e que propõe rediscutir os crimes contra os direitos humanos cometidos no período da ditadura militar. A substituição, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), entrou em vigor no dia 4 de junho, com a publicação no Diário Oficial do Estado (DO) da lei 711/09.
Para o deputado estadual Milton Flávio (PSDB), autor do projeto de lei, a mudança vem corrigir a distorção de homenagear pessoas que torturaram ou apoiaram a tortura no Brasil. “A mudança corrige uma injustiça. A tortura é inaceitável, um crime hediondo e imprescritível. Não tem sentido homenagear ou manter homenagens a pessoas que sabidamente cometeram crimes contra a humanidade”, disse. “A estrada passa próximo à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um complexo educacional de extrema importância. Dar à rodovia o nome do homem que foi o grande mentor da criação da universidade é uma forma de homenagear os que lutaram pela construção de um país melhor”, afirmou.
Flávio também é autor de outro projeto, ainda em tramitação na Assembleia, que veda a denominação de prédios, rodovias e repartições públicas com nomes de pessoas que tenham praticado ou autorizado atos de tortura. “Este projeto é anterior ao da rodovia. Mas, como a denominação do general foi definida por decreto, pensei que seria mais fácil conseguir a aprovação”, explicou, citando que se aprovado o outro projeto, além de proibir novas homenagens, vai permitir a revisão das já feitas a torturadores.
“O codinome do general na época era Milton Caveirinha, porque ele pregava a morte dos adversários do regime. Ele tinha um discurso duro e comandou a Central de Informações do Exército num dos períodos mais duros da ditadura”, disse.
Repercussão
“Acho ótima e merecida a homenagem ao professor Zeferino Vaz. Mas, o mais importante é a rodovia ou qualquer prédio público não ter o nome de alguém que não fez nenhum bem para a sociedade. A mudança de nome, por si só, é positiva”, disse a deputada estadual Célia Leão (PSDB).
“O Brasil precisa deixar de ser um país sem memória. Os crimes políticos não podem ser esquecidos”, reforçou Flávio. Segundo ele, não se trata de revanchismo, mas de cultuar heróis da democracia. Flávio lembrou que a estratégia de não homenagear ditadores é mundial. Chile, Espanha e Portugal, por exemplo, não têm mais referências a Pinochet, Franco e Salazar, respectivos ditadores desses países.
Placas
A assessoria de imprensa da Rota das Bandeiras, concessionária que administra a SP-332, informou que assim que saiu a publicação no DO, a empresa mandou confeccionar novas placas para substituir as atuais. Mas não soube informar quantas são, nem quando as placas com a nova denominação estarão instaladas.
A SP-332 tem 77 quilômetros de extensão, e vai de Campinas a Conchal, passando por Paulínia, Artur Nogueira e Cosmópolis, entre outros municípios. Ela foi inaugurada em julho de 1981, mesmo ano da morte do general.
SAIBA MAIS - Quem foi Zeferino Vaz
O médico e professor Zeferino Vaz foi o idealizador, fundador e administrador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) nas décadas de 60 e 70. Foi ainda criador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, secretário estadual de Saúde, em 1963, e reitor da Universidade de Brasília (UnB). Foi também o primeiro presidente do Conselho Estadual de Saúde de São Paulo. Após sua aposentadoria, exerceu até sua morte o cargo de presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Unicamp. Zeferino Vaz também morreu em 1981.
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